Os deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro)
aprovaram na tarde desta terça-feira (10) o projeto de lei que proíbe o
uso de máscaras e demais artifícios que ocultem o rosto em
manifestações. O projeto agora deve seguir para sanção do governador
Sérgio Cabral (PMDB), que tem 15 dias para avaliar a proposta.
O projeto é de autoria dos deputados da base do governo Domingos Brazão e Paulo Melo, ambos do PMDB.
No momento da aprovação, havia 70 pessoas nas galerias, todos
favoráveis à proposta. Eles trouxeram cartazes com mensagens como
"Mascarados, não! Cara pintada, sim!", "Brasil, mostra sua cara sem
máscara, sem violência" e "#vemsemmáscara".
Cerca de 20 manifestantes contrários foram barrados na entrada da
Câmara. Houve tumulto entre o grupo e seguranças da Casa, que fecharam
os portões antes do fim da sessão. Policiais militares se posicionaram
na entrada do prédio.
O projeto aprovado fui um substitutivo ao projeto colocado em votação
na semana passada, que recebeu 13 emendas, dos deputados Luiz Paulo,
Jânio Mendes (PDT), Bruno Correia (PDT) e Gilberto Palmares. Foram
incorporados trechos de duas emendas, uma de Luiz Paulo e outra de
Jânio.
A proposta define que a intervenção policial só acontecerá em caso de
descumprimento das regras. Uma das emendas aproveitadas esclarece que a
vedação não se aplica às manifestações culturais estabelecidas no
calendário oficial do Estado, como o Carnaval.
"Mantivemos o espírito do projeto que é impedir que mascarados
continuem afrontando as autoridades e a população e impedindo as pessoas
de se manifestarem livremente. Isso não é bom hábito da democracia. Nem
na ditadura as pessoas protestaram mascaradas", afirmou Paulo Melo.
Doze, dos 62 parlamentares presentes, votaram contra o projeto: Geraldo
Pudim (PR), Marcelo Freixo (PSOL), Luiz Paulo (PSDB), Clarissa
Garotinho (PR), Comte Bittencourt (PPS), Inês Pandeló (PT), Janira Rocha
(PSOL), Samuel Malafaia (PSD), Robson Leite (PT), Gilberto Palmares
(PT), Cida Diogo (PT) e Lucinha (PSDB). Dos 70 deputados da Alerj, seis
faltaram à sessão e dois estão licenciados.
O deputado estadual Marcelo Freixo criticou a aprovação do projeto, que classificou como "inócuo" e "inconsequente".
"Agora, em qualquer greve sindical, se algum trabalhador tiver o receio
de ser identificado para não sofrer perseguição, ele não pode. É uma
lei que não cria exceção", afirmou. "É um projeto que já determina uma
porção de coisas que a polícia já poderia fazer. O que ele tenta fazer é
radicalizar o uso de máscaras, proibindo o uso de máscaras", disse.
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