Acompanhando a irmã no
hospital, a autônoma Edijane Barbosa da Silva relata que Maria Edneide
chegou às 19h05, momento em que o médico de plantão na urgência deixava a
unidade. "Fomos atrás dele na saída do hospital e ele disse 'já está na
minha hora', pedindo que aguardássemos o médico que chegaria às 20h",
explica. Enquanto isso, Maria Edneide fez um eletrocardiograma, um exame
de sangue e ficou respirando com a ajuda de um balão de oxigênio na
enfermaria.
Edijane conta que a família tentou
chamar o médio que estava trabalhando na Unidade de Terapia Intensiva
(UTI). "As enfermeiras diziam que ele estava vindo, mas nunca vinha.
Minha irmã gritava de dor. Quando o médico chegou acho que ela já tinha
morrido", diz. A dona de casa ainda foi levada para a UTI, mas não houve
tempo para salvá-la. O médico de plantão na urgência chegou às 20h07,
após a morte de Edneide, conforme explica a irmã.
De
acordo com Edijane, houve confusão no hospital e a polícia foi ao
local. "Perguntaram se eu queria fazer um boletim de ocorrência, mas não
tinha condições na hora", afirma. Segundo Edijane, a família pretende
processar os três médicos.
Falta de equipamento
Os
problemas cardíacos de Maria Edneide foram descobertos há pouco tempo.
De acordo com a irmã, a dona de casa fez um cateterismo cardíaco, porém o
médico de Edneide informou que ela precisaria fazer uma angiotomografia
e posteriormente poderia passar por novas cirurgias. O exame foi
requisitado na Secretária Municipal de Saúde de Acari. "O processo
estava parado há um mês e meio", lembra.
Na tarde
desta quarta Maria Edneide passou mal e foi para a casa da mãe, em
Acari. Com dores no peito, ela foi levada para o Hospital de Acari,
porém o local não tinha o equipamento para realizar o eletrocardiograma.
"Está quebrado há meses. Precisávamos saber se ela teve um
pré-infarto", conta Edijane.
A família tentou
contato com o Hospital Regional de Currais Novos, que também não poderia
fazer o exame. No Hospital de Caicó a família foi informada que era
possível fazer o procedimento. Maria Edneide foi levada até a cidade,
que fica a 68 quilômetros de Acari, chegando à unidade hospitalar por
volta das 19h.
Sesap vai apurar caso
A
Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) vai apurar o que aconteceu
na morte da paciente Maria Edneide Barbosa da Silva, de 48 anos.
Segundo a Sesap, o Conselho de Ética Médica estabelece que nos plantões
de urgência e emergência não pode haver solução de continuidade
(ausência de médico) e que, por isso, o profissional somente pode se
ausentar do plantão após ser rendido por outro da escala.
A
Sesap informa ainda que se sensibiliza com a dor da família e garante
que, se encontradas falhas que culminaram com o falecimento da paciente,
elas serão esclarecidas e medidas cabíveis de responsabilização serão
devidamente tomadas.
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