A Polícia Civil do Distrito Federal
(DF) prendeu hoje (26) sete pessoas e apreendeu mais de R$ 2 milhões em
espécie, além de joias e veículos durante a Operação Armadilha,
desencadeada para desarticular um esquema de exploração do jogo do bicho
na capital. O montante é o maior já apreendido no DF. Com a operação, o
delegado-chefe adjunto da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado
(Deco), Fernando Cocito, acredita que o jogo do bicho não funcionará
mais na capital do país.
“Exterminamos o jogo do bicho na data de
hoje. Estaremos atentos para qualquer tentativa de ressurgimento do
jogo”, disse o delegado, chefe da operação. Diferentemente de outras
ocasiões, desta vez os responsáveis pelas quadrilhas serão enquadrados
pela nova lei que define organização criminosa. Aprovada este ano, a Lei
12.850 modificou o Código Penal e tornou mais severas as punições para
essa prática criminosa, com pena de reclusão de 3 a 8 anos, que pode ser
elevada.
De acordo com Cocito, a Operação
Armadilha é resultado de seis meses de investigações e conseguiu
desbaratar duas quadrilhas que atuavam há mais de 15 anos como jogo do
bicho. Chefiadas por Hélio Cesar Alfinito, conhecido como Helinho, e
João Carlos dos Santos, elas dividiram o Distrito Federal em duas
grandes áreas de exploração da jogatina. Uma compreendia as regiões
administrativas da Asa Sul, do Guará, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo,
de São Sebastião e do Cruzeiro. A outra comandava o jogo ilegal na Asa
Norte, Ceilândia, no Paranoá, em Sobradinho e Planaltina.
“Essas quadrilhas estavam enraizadas no
Distrito Federal. Eles pintaram e bordaram por aqui e estamos colocando
um ponto final nisso”, frisou Cocito. Segundo ele, o faturamento mensal
da máfia chegava a R$ 3 milhões por mês e o aumento na arrecadação era
comemorado em restaurantes e casas de luxo da capital do país. Para
legalizar o dinheiro, as quadrilhas usavam laranjas e empresas de
fachada. “As empresas adquiriam bens moveis e imóveis em nome de
terceiros e deles próprios”, explicou o delegado.
As empresas eram uma imobiliária,
chamada Vila Isabel, localizada no Lago Sul, e uma empresa de fabricação
de bobinas, a Bobinas.com, que produzia as máquinas usadas no jogo do
bicho. “Essa era uma associação mais sofisticada, com soldados do crime,
gerenciamento, divisão de tarefa. Estão sendo autuados pelo crime de
organização criminosa”, reforçou Cocito.
Também foram presos hoje Leonardo
Fernando Lins, genro de Helinho, Jerônimo Natividade, João Rufino, Luiz
Francisco Magalhães de Almeida e o policial militar aposentado Wilians
Fernandes de Morais.
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