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Brasil chega ao Dia do Trabalho, neste 1º de maio, com taxa de
desemprego de 10,9%, segundo os dados mais recentes do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já os números de março do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do
Trabalho e Previdência Social, mostram supressão de 1,85 milhão de vagas
formais em 12 meses. O aprofundamento do desemprego atinge as economias
emergentes em geral. Mas o caso brasileiro é agravado pelas crises
política e fiscal.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) projeta aumento em 2,4
milhões no número de desempregados nas economias emergentes em 2016.
Steven Tobin, do Departamento de Pesquisa da OIT, explica que a
deterioração do mercado de trabalho nesses países está ligada à redução
do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e riquezas
produzidos em um país). Na América Latina e Caribe, a situação é
considerada mais grave, com contração do PIB em 2015.
“Enquanto as economias emergentes navegaram pela primeira fase da
recessão global relativamente bem, elas recentemente experimentaram
marcada deterioração nas perspectivas econômicas e do mercado de
trabalho. A situação é particularmente crítica na América Latina e
Caribe. A região deve crescer significativamente abaixo da média mundial
nos próximos anos”, destaca Tobin.
O pesquisador ressalta que, dadas as características de alguns países
emergentes, os efeitos sociais do desemprego podem se tornar mais
nefastos. “Desde que muitas dessas economias não têm um sistema de
benefícios abrangente, ou políticas ativas para o mercado de trabalho,
os efeitos de um aumento do desemprego nesses países pode afetar
negativamente os padrões de vida e a qualidade dos empregos”, afirma
citando com uma das consequências o aumento do emprego informal.
Particularmente no Brasil, Tobin cita a diminuição da demanda
externa, em especial da China, e a queda nos preços das commodities
(produtos primários com cotação internacional) como fatores que
contribuíram para o aumento da taxa de desemprego. No entanto, diz ele,
esse cenário acabou revelando fraquezas estruturais do país, como a
baixa produtividade. Segundo o pesquisador, o Brasil teve “excessiva
confiança” na exportação de commodities durante os anos de prosperidade.
Crise interna
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a situação do país
se torna mais difícil devido a uma crise fiscal. O governo tenta cortar
despesas para equilibrar as contas públicas, afetadas por gastos
elevados e também pela queda na arrecadação tributária causada pela
recessão. Paralelamente, o Brasil vive uma crise política que impacta a
economia e cujo episódio mais recente, a aprovação do pedido de abertura
de um processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff pela
Câmara dos Deputados, paralisa as ações que poderiam melhorar o cenário
econômico.
“Há um travamento da economia brasileira que é um terço decorrente da
crise internacional e dois terços, dos nossos problemas internos.
Associada à crise internacional, temos a crise fiscal, hídrica e a
Operação Lava Jato. Ao atuar no sentido de coibir a corrupção, ela trava
o setor da construção, que era muito forte. Vários fatores estão
atuando simultaneamente”, afirma o diretor técnico do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
Clemente Ganz Lúcio.
Para o economista Gilberto Braga, professor da Faculdade de Ciências
Sociais Aplicadas Ibmec, o quadro é “desorientador”. Ele diz que só
haverá perspectiva de melhora no emprego com a solução da crise
política. “É preciso que o imbróglio político seja resolvido para que
exista a possibilidade de a economia se reaprumar. O nível de emprego
demora a reagir. Quando os índices macroeconômicos pioram, o emprego é o
último cair. E também é o último a voltar ao normal”, destaca
Braga recomenda também que quem perdeu o emprego nunca perca de vista
a qualificação. “O importante é se qualificar, sempre. Hoje em dia, com
o mercado mais fechado, quem tem o currículo melhor tem mais chances.
Não se deve desistir de fazer cursos, estágios e de procurar emprego”,
aconselha. Ele lembra que o empreendedorismo é uma tendência em épocas
de desemprego alto. “Entretanto, justamente por ser tendência, há muita
concorrência”, alerta.