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terça-feira, 3 de março de 2015

Recessão: Comércio potiguar registra quase mil demissões em janeiro

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Reflexo da crise econômica que vem acontecendo em todo o país, o Rio Grande do Norte também vem apontando para um momento de dificuldade em todos os setores produtivos. E, durante as crises, o que mais cresce é a taxa de desemprego. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), vinculado ao Ministério do Trabalho, apenas em janeiro deste ano o setor de Comércio terminou o mês com um saldo negativo de 923 vagas formais.

O presidente da Federação do Comércio (Fecomércio-RN), Marcelo Queiroz, explica que o mês de janeiro é, tradicionalmente, um período em que o saldo no setor é negativo, “sobretudo devido às demissões de parte dos funcionários temporários contratados no final do ano anterior”. Entretanto, mesmo que o período seja naturalmente ruim, o ano de 2015 aponta para um cenário mais preocupante.

“O saldo negativo é mais de duas vezes maior que os 442 empregos a menos que registramos em janeiro de 2014. Vale registrar, ainda, que, no balanço de todo o ano passado, tivemos uma abertura de vagas no Comércio 23,92% menor que em 2013″, comentou.

O Comércio apresentou 2.932 vagas formais a mais no ano passado, contra 3.854 formalizadas em 2013. “Ou seja, o quadro é de desacelaração, rumo à recessão. E ainda temos as medidas recém adotadas pelo Governo Federal, em nome do ajuste fiscal, e que impactarão fortemente nos custos das empresas. O cenário é preocupante”, destacou Marcelo Queiroz.

De acordo com o IBGE, nos últimos dois anos o Rio Grande do Norte apresentou a maior taxa de desemprego do Nordeste e a segunda em nível nacional. Além disso, 55,4% das famílias do RN vivem com a renda de dois salários – situação esse que diminui consideravelmente a qualidade de vida da população.
Com base nos dados do Caged, Queiroz afirma que o cenário dos potiguares e da economia brasileira não é dos melhores. A saída, segundo ele, é cobrar aos governos, de uma maneira geral, são ações que podem impactar na geração de emprego e renda.

“Só cortar gastos em prejuízo da atividade produtiva (como foi o caso das recentes elevações de preços de matérias primas, aumentos de tributos e corte de investimentos) é suicídio. Precisamos cobrar da nossa classe política um movimento em defesa de quem gera emprego e renda neste país”, disse. “Retomar o crescimento passa, indispensavelmente, pela criação e manutenção de ambientes favoráveis ao desenvolvimento do setor produtivo”, frisou o presidente da Fecomércio RN.

Inúmeras variáveis influenciam no nível do desemprego. Nos últimos anos, a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) têm declinado bastante. Para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil deve crescer 1,4% em 2015, valor irrisório para manter a taxa de desemprego no nível atual. O impacto do PIB na geração de emprego vem diminuindo cada vez mais, tornando frágil a abertura de novos postos de trabalho formais.

Ainda segundo dados do IBGE, entre janeiro e agosto de 2014, foram gerados 750 mil postos de trabalho formal em todo o Brasil – uma redução de 32% em relação ao mesmo período de 2013. Para este ano, a redução do índice deve ser ainda maior, tendo em vista o quadro de inflação crescente.

Jornal de Hoje

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