O segundo
dia seguido de chuvas em Natal teve deslizamento de terra, desabamento
de casas, interdições e alagamentos em vários pontos da cidade. Os
problemas ocorrem em meio à Copa do Mundo de Futebol, que tem a capital
entre as 12 cidades sedes dos jogos.
Um dos principais problemas está na rua Guanabara, no bairro de Mãe
Luíza, onde uma cratera se abriu, ontem, provocando um deslizamento em
direção à avenida Dinarte Mariz, na praia de Areia Preta. O trecho é um
dos corredores de passagem para os hotéis da Via Costeira - onde estão
hospedadas as seleções do México e dos Estados Unidos.
Cedida
Prefeiro Carlos Eduardo se reúne no gabinete e determina que todas as secretarias fiquem em alerta
Ao menos cinco carros ficaram parcialmente soterrados ontem. Hoje,
continua jorrando água no local e novos problemas foram registrados.
Moradores de um prédio residencial de luxo, nas proximidades, informaram
que o edifício está sendo evacuado neste momento. A informação ainda
não foi confirmada por fontes oficiais.
Segundo a Defesa Civil, houve novos deslizamentos de terra hoje, a
cerca de 50 metros da área afetada ontem. Duas casas teriam sido
atingidas. Um muro próximo à praia de Areia Preta também caiu.
O
trânsito foi bloqueado na avenida. Uma montanha de areia levantada no
dia anterior, para servir de contenção, não foi suficiente para evitar a
queda.
Apenas moradores e hóspedes da área, além de “veículos oficiais”,
como carros do exército, tinham a passagem autorizada por servidores da
Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), até o início da
noite, e não havia previsão para a liberação de 100% do tráfego. A
Urbana removia a areia da pista, com o reforço de máquinas e de ao menos
15 homens.
O gerente de Operações da Urbana, Joseildes Medeiros, informou à
reportagem da TRIBUNA DO NORTE que representantes de diversas
secretarias municipais estavam reunidos no Palácio Felipe Camarão, sede
da Prefeitura. Ele disse não ter informações detalhadas sobre o
encontro, mas cogitou que estariam em pauta os problemas decorrentes das
chuvas.
Na rua Guanabara - “ladeira acima” para quem está em Areia Preta e
ponto de origem do deslizamento da sexta-feira - homens usavam “sacos de
areia” para evitar a queda de outro muro, que causaria um problema
maior. O muro está na mesma área em que a cratera foi aberta na sexta e
de onde partiu o deslizamento de terra.
“Se continuar chovendo, há risco de um novo deslizamento. É esse
muro que está segurando tudo”, disse o doutor em Engenharia Civil
Ricardo Severo, que atua na área de geotécnica, em campos como a
estabilização de encostas. Ele estava com uma equipe da prefeitura no
local e afirmou que, em um cenário mais pessimista, há a possibilidade
de queda do muro, de uma escada e de parte da rua. “Mas não tem fissura
no local, não tem indício de que isso vá acontecer”, frisou, no final da
tarde, afirmando que não havia risco para prédios construídos nas
proximidades.
O secretário municipal de obras, Tomaz Neto, estava na área, mas se
negou a dar entrevista. “Estou muito ocupado trabalhando, mobilizando
pessoas”, disse, no final da tarde.
Havia a expectativa de que ao menos três casas na rua Guanabara fossem desocupadas.
Desmoronamento
A poucos quilômetros dessa
área, na rua Lins Bahia, em uma área conhecida como “favela do Jacó”, a
Defesa civil interditou 11 casas, após três delas terem desmoronado.
“Cozinha, banheiro e quintal. Mais quatro casas correm o mesmo risco”,
informou o agente da Defesa Civil, José Vanderli. “Nos fundos dessas
casas tem um muro de arrimo, que serve de encosta. É aí que está o
problema”, disse o agente. Os problemas, na área, começaram por volta
das 16h.
Os desmoronamentos não deixaram feridos, mas deixaram em prantos a
desempregada Lenice Patrício do Nascimento. A casa em que vivia há sete
meses com o marido foi a primeira cair. “Ontem, as paredes e o chão já
estavam rachados. Hoje eu puxei a máquina de lavar da área de serviço e
tudo caiu (a área de serviço e a cozinha). Veio primeiro o teto e depois
o chão e uma avalanche de lama e barro”, contou, com os olhos
marejados. A casa era conjugada com a da irmã, que também desmoronou.
“Só consegui salvar a geladeira, o fogão e a máquina de lavar roupas.
Está tudo espalhado na casa dos vizinhos. Meu sofá e o meu quarto foram
embora”, lamentou Lenice.
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