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domingo, 15 de junho de 2014

Chuvas causam desmoronamentos em Natal

O segundo dia seguido de chuvas em Natal teve deslizamento de terra, desabamento de casas, interdições e alagamentos em vários pontos da cidade. Os problemas ocorrem em meio à Copa do Mundo de Futebol, que tem a capital entre as 12 cidades sedes dos jogos.
Um dos principais problemas está na rua Guanabara, no bairro de Mãe Luíza, onde uma cratera se abriu, ontem, provocando um deslizamento em direção à avenida Dinarte Mariz, na praia de Areia Preta. O trecho é um dos corredores de passagem para os hotéis da Via Costeira - onde estão hospedadas as seleções do México e dos Estados Unidos.
CedidaPrefeiro Carlos Eduardo se reúne no gabinete e determina que todas as secretarias fiquem em alertaPrefeiro Carlos Eduardo se reúne no gabinete e determina que todas as secretarias fiquem em alerta
Ao menos cinco carros ficaram parcialmente soterrados ontem. Hoje, continua jorrando água no local e novos problemas foram registrados. Moradores de um prédio residencial de luxo, nas proximidades, informaram que o edifício está sendo evacuado neste momento. A informação ainda não foi confirmada por fontes oficiais.
Segundo a Defesa Civil, houve novos deslizamentos de terra hoje, a cerca de 50 metros da área afetada ontem. Duas casas teriam sido atingidas. Um muro próximo à praia de Areia Preta também caiu.
O trânsito foi bloqueado na avenida. Uma montanha de areia levantada no dia anterior, para servir de contenção, não foi suficiente para evitar a queda.
Apenas moradores e hóspedes da área, além de “veículos oficiais”, como carros do exército, tinham a passagem autorizada por servidores da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), até o início da noite, e não havia previsão para a liberação de 100% do tráfego. A Urbana removia a areia da pista, com o reforço de máquinas e de ao menos 15 homens.
O gerente de Operações da Urbana, Joseildes Medeiros, informou à reportagem da TRIBUNA DO NORTE que representantes de diversas secretarias municipais estavam reunidos no Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura. Ele disse não ter informações detalhadas sobre o encontro, mas cogitou que estariam em pauta os problemas decorrentes das chuvas.
Na rua Guanabara - “ladeira acima” para quem está em Areia Preta e ponto de origem do deslizamento da sexta-feira - homens usavam “sacos de areia” para evitar a queda de outro muro, que causaria um problema maior. O muro está na mesma área em que a cratera foi aberta na sexta e de onde partiu o deslizamento de terra.
“Se continuar chovendo, há risco de um novo deslizamento. É esse muro que está segurando tudo”, disse o doutor em Engenharia Civil Ricardo Severo, que atua na área de geotécnica, em campos como a estabilização de encostas. Ele estava com uma equipe da prefeitura no local e afirmou que, em um cenário mais pessimista, há a possibilidade de queda do muro, de uma escada e de parte da rua. “Mas não tem fissura no local, não tem indício de que isso vá acontecer”, frisou, no final da tarde, afirmando que não havia risco para prédios construídos nas proximidades. 
O secretário municipal de obras, Tomaz Neto, estava na área, mas se negou a dar entrevista. “Estou muito ocupado trabalhando, mobilizando pessoas”, disse, no final da tarde.
Havia a expectativa de que ao menos três casas na rua Guanabara fossem desocupadas.
Desmoronamento
A poucos quilômetros dessa área, na rua Lins Bahia, em uma área conhecida como “favela do Jacó”, a Defesa civil interditou 11 casas, após três delas terem desmoronado. “Cozinha, banheiro e quintal. Mais quatro casas correm o mesmo risco”, informou o agente da Defesa Civil, José Vanderli. “Nos fundos dessas casas tem um muro de arrimo, que serve de encosta. É aí que está o problema”, disse o agente. Os problemas, na área, começaram por volta das 16h.
Os desmoronamentos não deixaram feridos, mas deixaram em prantos a desempregada Lenice Patrício do Nascimento. A casa em que vivia há sete meses com o marido foi a primeira cair. “Ontem, as paredes e o chão já estavam rachados. Hoje eu puxei a máquina de lavar da área de serviço e tudo caiu (a área de serviço e a cozinha). Veio primeiro o teto e depois o chão e uma avalanche de lama e barro”, contou, com os olhos marejados. A casa era conjugada com a  da irmã, que também desmoronou. “Só consegui salvar a geladeira, o fogão e a máquina de lavar roupas. Está tudo espalhado na casa dos vizinhos. Meu sofá e o meu quarto foram embora”, lamentou Lenice.

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