O massacre de Manaus e agora o de Boa
Vista não constituem um mero acidente. Decorrem de décadas de
negligência das autoridades brasileiras com o crescimento do crime
organizado e com a degradação de seu sistema prisional.
O Brasil ocupa o lugar de quarto país
com a maior população carcerária do mundo. Entre 2000 e 2014, a taxa de
aprisionamento aumentou 119%, ultrapassando a marca de 622 mil pessoas
privadas de liberdade, sendo que 41% delas correspondem a prisões
provisórias.
Essa política indiscriminada de
encarceramento, além de ineficaz como mecanismo de dissuasão do crime,
tem contribuído de forma significativa para o agravamento da
criminalidade. Nas últimas duas décadas foram cerca de 1 milhão de
homicídios.
Conforme dados do Fórum Nacional de
Segurança Pública, apenas em 2015, 58.492 pessoas foram vítimas de
homicídio; 54% das vítimas eram jovens e 73%, negros e pardos. Para
citar apenas mais um dado desta tragédia, estima-se que 45.460 mulheres
foram vítimas de estupros no último ano. O perfil da população prisional
é o mesmo das vítimas de violência letal: 56% são jovens de 18 a 29
anos e 67%, negros.
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