Chegar ao topo da Serra da Capelinha, em Parelhas, no Seridó, exige
algum esforço. Mas a subida é recompensada com a vista do pôr do sol lá
do alto. Um espetáculo e tanto! E quando esse cenário de cinema ganha
uma trilha sonora ao vivo bem apropriada, com músicas de Luiz Gonzaga e
Dominguinhos, aí não tem adjetivo que descreva a sensação. Só
vivenciando pra saber.
A contemplação do crepúsculo de cima da serra e ao som da sanfona é, sem
trocadilho, um dos pontos altos do roteiro Seridó Tradição, elaborado e
promovido com exclusividade pela Pé na Estrada Trilhas Ecológicas,
empresa que atua no segmento de esportes radicais e de aventura, trilhas
ecológicas e vivências em ambientes naturais.
A preocupação em ter contato com a história dos lugares visitados e seus
moradores é outro diferencial da Pé na Estrada. O roteiro Seridó
Tradição começa, por exemplo, em um pequeno sítio em Currais Novos onde
vive o casal de agricultores Chicão e Cida. Depois de apresentar sua
propriedade e contar como conseguem conviver com a seca, eles servem aos
visitantes um delicioso café da manhã regional, com pamonha, canjica,
cuscuz, bolo, queijo de coalho, tapioca e outras iguarias do sertão —
tudo feito lá mesmo.
A próxima parada é em Parelhas, para conhecer o Sítio Arqueológico do
Mirador, onde estão preservadas pinturas rupestres de 9.000 anos. As
gravuras encontram-se na serra às margens da Barragem do Boqueirão, que
resiste com 10% de sua capacidade de água. Depois da visita, conduzida
pelo guia Dean Carvalho, que sabe tudo do lugar, a programação continua
com o almoço no restaurante Recanto Verde, um lugar simples e agradável,
com convidativas redes à sombra de árvores, para o descanso após um
banquete preparado com o melhor da culinária seridoense.
O roteiro é retomado com a subida da Serra da Capelinha, por volta das
16h, pra que se chegue ao topo antes de escurecer. A caminhada é bem
mais longa e íngreme que a primeira, mas o esforço é válido. De um lado,
dá pra ver a Barragem do Boqueirão. Do outro, uma pequena cadeia de
montanhas da Serra da Borborema, onde o sol se despede.
Lá no alto, os pequenos sanfoneiros parelhenses Alan e Pedro dão um show
com um repertório de gente grande. Eles arrocham o fole e Dominguinhos,
Luiz Gonzaga, Beethoven e Ernesto Nazaré ecoam na serra enquanto o sol
se põe. Uma maravilha de espetáculo protagonizado pela música e
natureza.
A noite reserva ainda uma ótima prosa nos alpendres centenários da
Fazenda Rajada com o proprietário Carlos Alberto, incentivador do
turismo local, e com o professor e historiador Helder Macedo, que dá uma
“senhora” aula sobre a história do Seridó, desde a colonização e
extermínio dos índios Tarairiu, passando pelo ciclo do gado e a saga da
família do coronel Quincó (antigo proprietário da fazenda). O poeta
popular Divino Sena declama versos e a cozinha serve as mais finas
iguarias de uma ceia sertaneja.
A dormida é na Pousada Gargalheiras, em Acari, de onde dá pra ter uma
panorâmica do açude de mesmo nome, que se encontra seco. O roteiro
termina com a trilha por dentro dele, conduzida pelo guia local Ivan. Em
duas horas de caminhada, o que se vê são apenas cenas de seca para
belas fotografias — canoas em chão rachado onde outro dia havia água,
interessantes formações rochosas antes submersas, um pouco de verde,
garças e vacas. Os acarienses esperam que chova logo (e muito), para ver
o Gargalheiras cheio novamente e a barragem sangrar. Para que ele volte
aos seus melhores dias, quando foi eleito uma das sete maravilhas do
RN.
Fotos: Dean Carvalho Matéria: Tribuna do Norte




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