Um acalorado
debate, como quente é o clima de Caicó, vem permeando as redes sociais.
Duas correntes travam uma batalha, cada uma com seus argumentos. De um
lado, os que são contra a realização do carnaval na cidade, caso
persista a seca. Esse grupo alega que, com Caicó cheia de turistas, o
Itans, que está com apenas com 10% da capacidade, daria seu ultimo
suspiro, deixando os caicoenses em uma situação difícil após o período
momesco. A outra corrente é de pessoas que argumentam que o Itans já
vinha secando paulatinamente, não somente por causa do consumo, mas
também, pela acentuada evaporação de suas águas e que o grande número de
turistas hospedados na cidade no carnaval em nada mudaria o quadro
atual.A favor dos que querem o carnaval pesa uma declaração do diretor da regional da CAERN em Caicó, Enilton Mário de Oliveira. Ele afirmou que o abastecimento continuará o mesmo e não sofrerá alterações no consumo durante os dias de festa. O depoimento de Enilton é frágil. Em entrevista a uma rádio,semana passada, ele disse que a única maneira de faltar água em Caicó seria se a cidade não pudesse ser abastecida pelo Rio Piranhas. Cinco dias depois, o abastecimento pela Adutora Manoel Torres foi interrompido, voltando ao normal quatro dias após, graças à ocorrência de chuvas passageiras na Paraíba que fizeram aumentar temporariamente o nível do Rio Piranhas. O colapso deixou cerca de 30 mil pessoas sem água e muitas recorreram ao carro-pipa.
A corrente pró-carnaval acusa os que não querem festa na cidade de hipocrisia, alegando não haver por parte de muitos caicoenses a consciência de economizar água. O desperdício na cidade causado por alguns moradores existe, mas nada comparado à época de carnaval, onde turistas montam piscinas de plástico, bicas, chuveirões e se utilizam de mangueiras ligadas em grande parte do dia com o intuito de se refrescar. Uma campanha de conscientização quanto a situação hídrica da cidade, assim como estímulo a economia de água por parte do turista, ajudaria.
A prefeitura já afirmou que, com chuva ou sem chuva, o carnaval de Caicó acontecerá sim e nos moldes do ano passado. O município ainda ajudará aos blocos do Magão e Treme-treme, cada um recebendo cerca de 60 mil reais, além de fornecer a estrutura necessária para o folião, mas surge outra questão. Segundo portaria do MP, empregar verbas públicas na realização de festas em geral, se mostra incompatível com a situação de estiagem enfrentada no estado.
A recomendação do órgão aos prefeitos do Rio Grande do Norte, é que, enquanto persistir a situação de emergência, abstenham-se de realizar despesas com eventos festivos, incluindo a contratação de artistas, serviços de "buffets" e montagens de estruturas para eventos. Ao gastar 120 mil reais, fora as despesas com estrutura, o município estaria descumprindo uma recomendação da justiça.
Não seríamos levianos em afirmar que o carnaval de Caicó não é importante. A festa gera renda e emprego e aquece a economia do município. Pessoas de classe média lucram com o aluguel de casas, donos de hotéis, restaurantes, lanchonetes e quiosques faturam alto, sem falar no peso cultural de ter se consolidado como um dos maiores do RN, proporcionando diversão garantida a turistas e nativos. Entretanto, diante dos fatos e argumentos, prós e contras, é preciso que a prefeitura avalie bem o peso e responsabilidade de suas decisões. Vamos realizar o carnaval sem comprometer a segurança hídrica dos que aqui ficarão após a quarta-feira de Cinzas? Se a resposta for sim, excelente, caso contrário, o prefeito vai ter que assumir o ônus da falta d'água nas torneiras.
Devemos combater a seca com medidas antecipadas e inteligentes, como fazem países como EUA e Israel. Contar somente com a sorte e com a boa vontade de São Pedro é muito perigoso e arriscado e o colapso de água ocorrido esta semana em Caicó provou isso.
Do blog V&C
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