sábado, 8 de dezembro de 2012
Oscar Niemeyer é enterrado no Rio de Janeiro ao som de Carinhoso
Em um ato ecumênico, familiares, amigos e desconhecidos homenagearam o arquiteto brasileiro
A viúva do arquiteto, Vera Lúcia, familiares e cerca de 400 pessoas estiveram ontem no sepultamento do arquiteto. Autoridades e pessoas anônimas lembraram a genialidade e a simplicidade de Niemeyer FOTO: AGÊNCIA ESTADO
Rio de Janeiro. Ao som de Carinhoso e da Internacional, o corpo do arquiteto carioca Oscar Niemeyer foi enterrado, às 18h de ontem, diante de mais de 400 pessoas, contrariando a decisão da família de fazer uma cerimônia fechada. Além de parentes e amigos, admiradores anônimos e curiosos acompanharam o sepultamento, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio.
A música de Pixinguinha foi tocada pela Banda de Ipanema, da qual Niemeyer era patrono, e o hino dos comunistas, cantado por velhos companheiros de militância do arquiteto. Niemeyer morreu de infecção respiratória na noite da última quarta-feira (5), aos 104 anos.
O enterro aconteceu depois de quase nove horas de velório, no Palácio da Cidade, sede oficial da Prefeitura do Rio. No espaço reservado a convidados, a família de Niemeyer recebeu os cumprimentos de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, governador e prefeito do Rio, ambos do PMDB, Antônio Anastasia (PSDB), governador de Minas Gerais, e Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte.
O palácio foi aberto ao público entre 8h30 e 16h. Antes da saída do caixão, às 17h15, cerca de 150 pessoas assistiram a um culto ecumênico.
Ateu, Niemeyer foi homenageado antes do enterro por um ato ecumênico celebrado pelos padres Osmar Raposo e Jorjão, pelo rabino Newton Bonder e pelo pastor luterano Mozart Noronha. Quando o pastor pediu que os presentes dessem as mãos e cantassem a música "Suíte de Pescador", de Dorival Caymmi, a viúva, Vera Lúcia, ficou ainda mais emocionada.
De mãos dadas, o público cantou os versos do baiano. Um trecho da letra diz: "Minha jangada vai sair pro mar/ Vou trabalhar, meu bem querer/ Se Deus quiser quando eu voltar do mar/Um peixe bom eu vou trazer(...) Adeus, adeus".
Homenagens
A genialidade do arquiteto foi destacada pelos colegas do arquiteto que projetou Brasília e deixou mais de 500 obras em vários países. "Já tem alguém que pode redesenhar a Via Láctea", brincou o urbanista, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná Jaime Lerner.
Entre os anônimos que enfrentaram o forte calor, notava-se um senhor de cabelos brancos, visivelmente emocionado. O engenheiro italiano Giorgio Veneziani, 86, desembarcou no Brasil em 1948 e, na década seguinte, conheceu Niemeyer.
"Montei uma indústria de mármores e granitos e acabei sendo fornecedor de mármores usados nos palácios de Brasília", disse Veneziani, que morou entre 1957 e 1962 na área onde estava sendo erguida a capital federal.
Outro fã de Niemeyer chamou a atenção. Cego, o estudante Everton Sampaio, 27, descreveu as obras do arquiteto como "emocionantes". "Posso sentir algo diferente só de entrar, tocar as paredes, as colunas. É arte", disse ele, cuja obra predileta é a Catedral de Brasília. "O sol parece estar dentro dela".
O poeta Ferreira Gullar lembrou a amizade de 50 anos. "É uma dor irreparável", lamentou.
O prefeito Eduardo Paes disse que vai transformar em esculturas três desenhos feitos por Niemeyer em agosto do ano passado. As peças enfeitarão o boulevard que será construído na zona portuária. O prefeito também estuda instalar uma estátua de Oscar Niemeyer na mesma região da cidade onde ele nasceu.
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