A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, em evento da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, que buscará meios para bancar
a redução média de 20,2% na tarifa de energia, conforme divulgado em
setembro. O percentual não conseguiu ser alcançado, segundo o governo,
devido à decisão de três concessionárias de geração que rejeitaram as
propostas de renovação dos contratos por parte do Governo Federal.
As
companhias de energia dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná
detêm a concessão de 29 usinas, responsáveis pela produção de 40% do
total de 25.452 megawatts previstos para serem renovados, conforme as
regras da Medida Provisória 579. Sem acordo, o governo foi obrigado a
rever o percentual médio de redução da tarifa de energia que, conforme
anunciado na terça, 4, deve ficar em 16,7% na média nacional.
Uma
das possibilidades para garantir a redução divulgada em setembro seria
desonerar, ainda mais, a tarifa de energia. Mas a alternativa pode
impactar nas finanças federais e, conforme especialistas, surtir muito
pouco efeito. Segundo Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e
Energia da Universidade de São Paulo e ex-diretor de gás e energia da
Petrobras, a falta de planejamento do setor elétrico nos últimos anos,
além da necessidade de ativação das usinas termelétricas, devido ao
baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas do Nordeste,
devem minimizar os efeitos da redução das tarifas.
Segundo
ele, para compensar a queima de carvão e óleo na geração das
termelétricas, serão necessários quase R$ 4 bilhões. A conta deverá ser
rateada entre todos os consumidores brasileiros e deverá ser paga n
reajuste das tarifas de energias previstas para acontecer a partir de
2013.
Para Sauer, faltou planejamento do governo. “Isso tudo é
produto da péssima gestão do sistema. Sem mudança estrutural no modelo,
as estatais vão ter perdas, destruindo um capital que pertence ao povo
brasileiro”, afirma.
Opinião similar é endossada por Adão
Linhares, consultor da área de energia e presidente da Câmara de Energia
Eólica da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece). “Se a
gente não tiver um planejamento de longo prazo, vai ter de sempre usar
as térmicas e pagar mais caro”, diz. Para ele, a promessa de redução da
tarifa de energia feita pelo governo poderá surtir pouco efeito frente a
necessidade constante de aumento nas tarifas.
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